Um amigo no seu caminho

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“Sou um soldado sem espada e armadura, a minha arma é o amor e Deus o meu comandante”, Artur Clemente

2017-07-03

Para esta 10ª Edição, e após os trágicos acontecimentos em Pedrógão Grande, sentámo-nos à mesa com Artur Clemente, um herói sem capa e sem medos.

O Sr. Artur, como é conhecido na Alves Bandeira, é responsável pela distribuição ao domicílio dos vários produtos de gasóleo comercializados na zona do Baixo Mondego. No passado mês, aquando dos incêndios que devastaram a zona centro do país, foi um dos heróis que socorreu de perto esta tragédia, tendo sido responsável pelo abastecimento dos veículos de combate às chamas.

Antes de irmos aos acontecimentos trágicos de Pedrógão Grande gostaria que nos falasse um pouco do “Artur” enquanto pessoa e colaborador da Alves Bandeira.

 

[AC]: Tinha 15 anos quando decidi fazer as malas e começar a minha vida profissional. Era um rapaz novo, irrequieto e com muita vontade de vencer na vida.

Olhando para o passado lembro-me que o meu primeiro trabalho foi como aprendiz num posto de combustível da Mobil ondeestive durante um ano. Apesar de ser um trabalho que gostava bastante eu queria ir mais longe e, foi nesse sentido, que procurei o Sr. Cassiano Alves Bandeira (fundador da Alves Bandeira).

Desde então trabalhei sempre “na casa” (expressão que o Sr. Artur utiliza para se referir à Alves Bandeira), exceto por um ano quando decidi sair para cumprir o sonho de conduzir um semirreboque.

Ao longo destes 35 anos de trabalho na casa, inaugurei e trabalhei em vários postos. Cumpri funções desde abastecedor a encarregado. Hoje, e há aproximadamente um ano, estou então no segmento de distribuição juntamente com a minha “boneca” (nome que dá à sua carrinha de distribuição). Sou uma pessoa feliz não só pelo que faço hoje, mas pelo que alcancei ao longo da minha vida.

Aliás, a nível profissional, só tenho a agradecer à “casa” e aos senhores Cassiano e Rui Bandeira, por terem sempre acreditado em mim e, mesmo quando resolvi sair por um ano, deixarem-me sempre as portas abertas para eu voltar. E assim foi.

Naquilo que faço dou sempre o meu melhor com toda alma e coração, pois sinto que tenho de corresponder a quem sempre me fez tanto bem. Mesmo depois de um interregno de quase um ano, estenderam-me a mão, é meu dever corresponder.

Estas pessoas são mais do que minhas amigas, são uma família.

 

Então não encara o trabalho na Alves Bandeira como uma obrigação, mas sim como um prazer? Gosta mesmo de trabalhar nesta casa?

[AC]: Temos de trabalhar para conseguir o pão de cada dia, mas estar na Alves Bandeira é muito mais do que ter o pão de cada dia, é muito amor à camisola. Mais do que gostar, é adorar. Aqui sinto-me me bem, porque estimam-me e sempre me estimaram. Orgulhosamente sirvo e continuarei a servir esta casa. Espero que os outros colaboradores sintam o mesmo e saibam valorizar este lugar.

 

O Sr. Artur foi um dos heróis dos incêndios que deflagraram nos últimos dias. Sempre teve esta veia solidária?

[AC]: Sempre pensei primeiro nos outros do que em mim próprio. Quando vejo alguém que necessita de ajuda não hesito e vou à luta. Sei que, por vezes, até faço mais do que devia, mas sempre fui assim.

Durante os incêndios recebi uma chamada e deixei tudo para ir ajudar, inclusive estava de férias.

 

Então deu uma resposta automática? Nunca hesitou, tendo em conta o cenário de desgraça?

[AC]: Para onde quer que me chamem, vou! Normalmente não meço o perigo, sou um soldado sem espada e armadura, a minha arma é o amor e o meu comandante Deus.

Mas claro que tive alguns cuidados, como levar uma enxada, pá de ferro, cordas, águas.

 

E quando se aproximou do local do incêndio, o que sentiu?

[AC]: Quando comecei a subir a serra e vi aquele fumo todo pensei “para onde vou?”. Mas sou um homem de fé, por isso segui em frente e estava pronto para “o que desse e viesse”. Já sabia o que tinha acontecido em Pedrogão Grande, mas nada me fez querer voltar atrás.

 

Alguma vez se sentiu impotente perante a situação?

[AC]: Dificilmente me sinto impotente, luto sempre até às minhas últimas forças. Praticamente não descansei, foram dois dias de trabalho intenso e muito desgastante, mas tinha de estar ali e ajudar no que podia. Abasteci bombeiros de norte a sul do país, Cruz Vermelha, Exército e alguns veículos estrangeiros. De madrugada não havia onde abastecer e estavam sempre a chegar bombeiros de todo o lado.

O fogo não dava tréguas e, por isso, senti que precisava de estar ali. Recebi ordens para ir embora, mas não o podia fazer, não podia deixar o trabalho inacabado. Só me retirei quando o fogo estava controlado e todas as necessidades tinham sido satisfeitas.

 

E nessa altura, ficou com a sensação de dever cumprido?

[AC]: Sim, voltei de consciência tranquila. Durante o tempo que estive no incêndio sempre recebi palavras de encorajamento por parte dos senhores Cassiano e Rui Bandeira. Foram estas palavras que me ajudaram a aguentar firme. Não me faltou nada da parte dos patrões, tinham o menino nos braços mesmo à distância.

Podemos estar todos tranquilos, tanto eu como a “casa”, pois cumprimos a nossa missão.

 

Passados estes 35 anos de dedicação à empresa, que mensagem gostaria de deixar aos colaboradores da Alves Bandeira?

[AC]: Primeiro, quem entra na Alves Bandeira tem desde logo a sorte de entrar numa grande casa. Depois, é preciso ter consciência de que se tem de começar pelo degrau mais baixo e ir trabalhando, dia após dia, para que as recompensas surjam. É preciso acreditar que o trabalho será sempre recompensado.

Não desistam. Trabalhem com determinação, persistência e com o máximo de carinho e amor por aquilo que fazem. Lembrem-se que sozinhos não vão a lado nenhum. Ao trabalhar como uma equipa somos mais fortes.